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A campanha #unfollow @marcelotas mostra que muitos que defendem liberdade de expressão só o fazem quando ela não os contraria.

Luli Radfahrer – Veja o Tweet

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Foi com esse Tweet que fiquei sabendo da campanha de #unfollow no @marcelotas que, até onde sei, foi motivada pela opinião que o âncora do  CQC deu em relação aos  “estudantes / protestantes” no caso da greve na USP. Ele os teria chamado de “vagabundos” e terminado o texto com “pm neles”.

Concordando com o dito acima, e em solidariedade, escrevi esse email ao Marcelo Tás

Tudo certo?

Confesso que não te sigo no Twitter, e que não gosto do CQC. E começo falando assim, porque acho importante dizer que, apesar de não acompanhar o teu trabalho recente pelo simples fato que não gosto dele, não impede que eu respeite a tua opinão, mesmo que contrária a minha (embora, nesse caso, eu concorde contigo).

Escrevo para prestar solidariedade contra esse ataque infantil que tu está sofrendo no  Twitter, que parece estar se tornando uma plataforma de ataques de infantilidade. A cada semana se pega alguém para malhar: um caso recente, anterior ao teu, é a perseguição contra a Twittess. As pessoas que não gostam dela, resolveram persegui-la, sem ela ter atacado os outros, só porque não concordam com os seu objetivo de “ser famosa”.

Agora resolveram que tu, de intelectual que não pode deixar de ser seguido, passou a monstro, porque não concorda com as atitudes de um bando de baderneiros, violentos e intolerantes.

Mas acredito que tu, que não é velho, mas em alguma realidade alternativa deve ter alguns cabelos brancos, sabe como as coisas eram na época da ditadura, ou mais recentemente os “caras pintadas”. Embora tenham ocorridos alguns encontros violentos, mesmo quando a repressão era maior, os protestos costumavam ser pacíficos. Muito mais do que são hoje.

Não sei se as pessoas não sabem mais protestar, ou simplesmente estão mais violentas. O fato é que na recente história do Brasil, já vimos protestos onde, ao invés de procurar uma forma organizada e pacificamente barulhenta, os protestantes descambaram para a violência e o vandalismo. E eles acham que isso é protestar.

Cada vez mais me parece que eles, além de não saber contra o que estão lutando (contra um problema, uma situação ou contra o estado?), não sabem o que fazer. Então acabam sendo intolerantes e impedindo que haja a liberdade de ação, expressão e pensamento, pelo qual que as pessoas que anos atrás fundaram os movimentos que atualmente eles representam, tanto lutaram para que existisse à todos os brasileiros.

Isso tudo me faz relembrar do último Fórum Social Mundial que ocorreu em Porto Alegre, e que durante o seu transcorrer me transformou, de um participante empolgado, para alguém extremamente desanimado.

Dentre os vários motivos, vou falar de um, apenas: em várias palestras a palavra de ordem era democracia. Tudo levava até ela. Ou as pessoas deveriam ter acesso a internet, para participar da “democracia digital”; ou deveriam ter educação universitária para ter instrução e exercer uma “democracia consciente”, além de vários outros tipos de democracia.

Acontece que a democracia é o respeito à ideias conflitantes, mesmo que não haja a concordância ou aceitação.

Mas não foi isso que vi. O FSM era um evento onde um grupo de partidos (um deles no qual já acreditei muito), tinha uma grande participação. Bandeiras desses partidos (e dos movimentos que os representavam), estavam no ombro de grande parte das pessoas.

Então eu presenciei o que tinha aparência de que seria um linchamento, caso a Brigada Militar não tivesse impedido que a pancadaria iniciasse.

Dois jovens que carregavam bandeiras de um partido de grande influência nacional, mas que não fazia parte dos partidos mais expressivos do FSM, começaram a ser hostilizados. E se os brigadianos não chegassem, é provável que esses dois tivessem levado uma surra gigantesca (como as pessoas que os rodeavam, estavam prometendo).

Então tu vê: as pessoas que pedem democracia, melhoria do país, podem ser tão intolerantes quanto foram os ditadores que, por muitos anos, fizeram do Brasil um lugar pior. É preciso entender que a diversidade que traz a beleza à um país como o Brasil, não pode ficar restrita apenas ao resultado da mistura de raças e etnias: É preciso que todos tenham o direito de pensar e se expressar, para que se possa encontrar soluções definitivas e viáveis para os problemas que todos enfrentamos.

É preciso aprender que “gostar” e “respeitar” são duas coisas completamente diferentes. É preciso aprender que o respeito deve existir, mesmo que não se goste.

E que lutar por um ideal, não é bater por um ideal.

Solidariedade à tua (e de todos), liberdade de expressão.

Lucas Pereira da Rosa

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